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domingo, 3 de dezembro de 2017

100 anos da revolução russa

Em 2017 comemoram-se os 100 anos da revolução socialista ocorrida, em 1917, na Rússia. No Brasil e em grande parte do mundo essa comemoração passou despercebida pela maioria da população e da comunidade de intelectuais. Com exceção de alguns eventos, na sua maioria patrocinados por partidos de extrema esquerda, quase não se falou ou se comemorou essa revolução. Apesar disso, é bom frisar que a revolução russa de 1917 foi um dos maiores e mais importantes acontecimentos do século XX.
Instalada em 1917, a revolução procurou modernizar a Rússia, um país que, no início do século XX, ainda era semifeudal e agrário, e ajudou a espalhar pelo mundo reivindicações de melhoria das condições de trabalho, aumento salarial e coisas semelhantes. A revolução russa foi uma das manifestações, no século XX, da utopia de um mundo melhor, da possibilidade de se viver uma espécie de paraíso na Terra.
No entanto, apesar de toda a utopia, a revolução trouxe para os povos sob seu domínio uma espécie de terror em escala industrial. A revolução condenou milhões a morte pelo simples fato de criticarem o regime socialista, condenou milhões a morrer de fome, condenou outros milhares a morrer nos campos de concentração, a serem presos em hospícios acusados de criticar o regime socialista. Na prática, além de desenvolvimento econômico e industrial, a revolução socialista na Rússia conseguiu ser uma espécie de fábrica de mortos, de cadáveres dos críticos do regime, uma versão enlouquecida e delirante da revolução francesa, uma personificação da razão enlouquecida e do Estado policial sem ética.
Muitas lições podem ser retiradas dos 100 anos da revolução socialista na Rússia. No entanto, uma importante lição para o século XXI – um século repleto de velhas ideologias e de velhos sonhos de construção de impérios e de colonização – é que nenhuma utopia, nenhum sonho de um mundo melhor, nenhum projeto de paraíso na Terra, de combate à pobreza ou algo semelhante pode ser colocado em pratica às custas da morte de milhões e milhões de pessoas que, por razões diversas, criticam ou não compactuam com o regime socialista. Não existem sonho, ética e esperança num ambiente onde as pessoas sabem que, desde de sempre, se criticarem o regime político ou o governante poderão ser presas, torturadas, internadas em um hospício e até mesmo assassinadas. Isto não é um sonho é um pesadelo. Nos 100 anos de revolução russa a humanidade precisa avançar ruma a um ideal político e a um modelo de Estado que combata a fome, que promova a justiça social e, ao mesmo tempo, não promova a violência e a barbárie. Essa é uma lição que muitos países, incluindo os países socialista (Cuba, etc), precisam aprender. Muito mais que comemorações, os 100 anos da revolução russa é um bom momento para o ser humano refletir e fazer um firme pacto de nunca mais repetir os erros trágicos dessa revolução.

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Russia: Os cães de Moscou que gostam de andar de metrô sozinhos

EDIÇÃO: JOÃO PINHEIRO

Se você acompanha o Curioso e Cia. há algum tempo, deve saber que os animais gostam cada vez menos de andar a pé! Veja como exemplo o gato Casper e a labradora Eclipse, que preferem mais o ônibus que uma boa caminhada. Agora é a vez dos cães de Moscou, que, ao invés de dar um passeio pelas calçadas, gostam mais de ir pelo metrô. Veja só!


O metrô de Moscou, capital da Rússia, recebe diariamente centenas de pessoas como qualquer outro transporte público. Mas, entre eles, viaja um grupo de passageiros muito mais especial que os outros. São os cães de rua da cidade, que possuem uma capacidade incrível de transitar pelas estações, sabendo exatamente onde estão, por onde têm que seguir e a que lugar vão chegar. Como é possível? Há algumas teorias que buscam explicar esse fato.

Viajar pelo metrô não é uma tarefa fácil. De fato, quando pensamos nele, as primeiras imagens e sensações que nos vêm à cabeça são pessoas apressadas, um espaço reduzido e um barulho infernal. Frequentemente, essa experiência pode ser estressante. Mais ainda quando o fazemos em um lugar que não conhecemos. O risco de nos perder é grande. É claro, sempre podemos pedir informações ou buscar sinalizações.

Isso, entretanto, não é possível aos cães, que sequer têm seu próprio sistema para transmitir emoções e necessidades e, portanto, não são capazes de perguntar onde se encontram. Porém os vira-latas de Moscou não precisam consultar nada nem ninguém para saber onde estão. Eles já desenvolveram mecanismos únicos de localização, com os quais podem deslocar-se tranquilamente pelas linhas e estações da cidade sem perderem o rumo.

Estima-se que dos 35 mil cães que perambulam pela capital russa, cerca de 20 são capazes de usar o metrô sem preocupações. A explicação mais plausível para isso é o fato de que esses animais têm evoluído junto com o ser humano há centenas de anos e, assim, parte de nossa natureza os é familiar. Assim pode ter sido com o andar no metrô.


Cães com atitudes humanas... e algo mais

Os cães, por convivência, são capazes de interpretar nossos sinais. De certo modo, esta habilidade fez com que eles conseguissem se mover por um meio de transporte feito para humanos. Dito isso, é factível que os vira-latas de Moscou andam de metrô por nos estar copiando. Contudo, descrever como é que eles aprenderam não é tão simples quanto isto.

E, além de adotarem um ou outro comportamento de seus conterrâneos humanos, outros elementos, como seu desenvolvido olfato, estão imersos em seu senso de localização. Talvez haja aromas específicos de pessoas, alimentos ou do ambiente que os ajudem a se orientar. Entretanto, estudos científicos sugerem que os cães exploram outros estímulos sensoriais para fazer suas rotas, não só a captação de odores.

A audição também é primordial. Imagina-se que estes fascinantes animais possivelmente conhecem as estações por seus nomes, ao escutá-los e memorizá-los através dos alto-falantes dos trens. Se nossos mascotes são capazes de reagir quando os chamamos pelos nomes, é porque aprenderam a reconhecê-lo através de mecanismos de repetição... portanto, os cães do metrô de Moscou aprenderam palavras específicas para identificar seus rumos, uma teoria que, por mais estranha que pareça, vendo por esse lado, parece ter sentido.

Os vira-latas de Moscou são capazes de viajar de metrô, demonstrando aos humanos a capacidade dessas criaturas de se adaptar a um mundo desafiador para os mais desprotegidos. E, embora alguns já tenham sido maltratados ou espancados (por outras criaturas ainda não estudadas pela ciência), não perdem a confiança em seus melhores amigos, os humanos, e seguem seus caminhos pelos trens.


segunda-feira, 14 de abril de 2014

PREMIO ABEL 2014: JOGOS DE BILHAR, SISTEMAS CAÓTICOS E UM MATEMÁTICO RUSSO.


O jogador se apoia na mesa de bilhar, ajeita o taco para tocar a bola com delicadeza e precisão. Ela rola na direção de uma das laterais, ricocheteia e volta na diagonal, bate na outra lateral, e assim por diante. Se supuser que não existe atrito entre a mesa e a bola e que ela não perca velocidade quando bate nas laterais ela continuaria rolando para sempre. Mas e se o jogador faz o mesmo com outra bola, a partir do mesmo local e com a mesma força, mas com a direção um tiquinho de nada mais para a direita? Será que a trajetória dessa bola ficará parecida com a anterior ou em pouco tempo ficará muito diferente?

Essa é apenas uma das questões que o matemático pode fazer sobre tal cenário, não por que está interessado no jogo, mas por que pode encarar as trajetórias da bola como sistemas dinâmicos (Sistemas caóticos, no linguajar dos leigos). Yakov G. Sinai, matemático russo da Universidade de Princeton, fez trabalhos importantes nessa área; até existe um tipo especial de Bilhar chamado bilhar de Sinai. Ele que recebe em maio, o premio Abel de 2014 por suas contribuições Matemáticas para os sistemas dinâmicos e outras áreas, como teoria ergodica e Física Matemática.

No Bilhar de Sinai, a bola perfeita (Sem massa, imune ao atrito) rola por uma mesa quadrada, Porem com um disco Retirado de seu centro (esse disco também tem laterais que impedem a bola cair da mesa). Se o jogador movimenta duas bolas a partir de uma posição inicial e direção um pouquinho diferentes, a diferença entre as duas trajetórias cresce exponencialmente. Ou seja, uma jogada no bilhar de Sinai é imprevisível, pois ninguém consegue fazer uma tacada exatamente igual a outra para conseguir o mesmo resultado. Yakov estudou o comportamento teórico dos gases.

Yakov teve boas influencias matemáticas durante a vida. Seu avô, Benjamin Fedorovich kagan, era coordenador do departamento de geometria diferencial na universidade de Moscou (Rússia). Além disso, ele foi um dos grandes matemáticos do século 20, com quem desenvolveu a entropia de Kolmogorov-Sinai. Diz eu trabalhar em Princeton, de certa formao ajudou a ganhar o Abel: “aqui tem grandes cientistas. Sempre encontro alguém a quem posso fazer as perguntas certas.”