Em 2017 comemoram-se os 100 anos da revolução socialista ocorrida, em
1917, na Rússia. No Brasil e em grande parte do mundo essa comemoração passou
despercebida pela maioria da população e da comunidade de intelectuais. Com
exceção de alguns eventos, na sua maioria patrocinados por partidos de extrema
esquerda, quase não se falou ou se comemorou essa revolução. Apesar disso, é
bom frisar que a revolução russa de 1917 foi um dos maiores e mais importantes
acontecimentos do século XX.
Instalada em 1917, a revolução procurou modernizar a Rússia, um país
que, no início do século XX, ainda era semifeudal e agrário, e ajudou a
espalhar pelo mundo reivindicações de melhoria das condições de trabalho,
aumento salarial e coisas semelhantes. A revolução russa foi uma das
manifestações, no século XX, da utopia de um mundo melhor, da possibilidade de
se viver uma espécie de paraíso na Terra.
No entanto, apesar de toda a utopia, a revolução trouxe para os povos
sob seu domínio uma espécie de terror em escala industrial. A revolução
condenou milhões a morte pelo simples fato de criticarem o regime socialista,
condenou milhões a morrer de fome, condenou outros milhares a morrer nos campos
de concentração, a serem presos em hospícios acusados de criticar o regime
socialista. Na prática, além de desenvolvimento econômico e industrial, a
revolução socialista na Rússia conseguiu ser uma espécie de fábrica de mortos,
de cadáveres dos críticos do regime, uma versão enlouquecida e delirante da
revolução francesa, uma personificação da razão enlouquecida e do Estado
policial sem ética.
Muitas lições podem ser retiradas dos 100 anos da revolução socialista
na Rússia. No entanto, uma importante lição para o século XXI – um século
repleto de velhas ideologias e de velhos sonhos de construção de impérios e de
colonização – é que nenhuma utopia, nenhum sonho de um mundo melhor, nenhum
projeto de paraíso na Terra, de combate à pobreza ou algo semelhante pode ser
colocado em pratica às custas da morte de milhões e milhões de pessoas que, por
razões diversas, criticam ou não compactuam com o regime socialista. Não
existem sonho, ética e esperança num ambiente onde as pessoas sabem que, desde
de sempre, se criticarem o regime político ou o governante poderão ser presas,
torturadas, internadas em um hospício e até mesmo assassinadas. Isto não é um
sonho é um pesadelo. Nos 100 anos de revolução russa a humanidade precisa
avançar ruma a um ideal político e a um modelo de Estado que combata a fome,
que promova a justiça social e, ao mesmo tempo, não promova a violência e a
barbárie. Essa é uma lição que muitos países, incluindo os países socialista
(Cuba, etc), precisam aprender. Muito mais que comemorações, os 100 anos da
revolução russa é um bom momento para o ser humano refletir e fazer um firme pacto
de nunca mais repetir os erros trágicos dessa revolução.

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