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segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Opinião: retorno de Massa é problema para jovens pilotos

Com Valtteri Bottas próximo da Mercedes em 2017, o caminho fica livre para Felipe Massa fazer mais um ano na Fórmula 1; Para Valentin Khorounzhiy, tal retorno destaca um problema muito maior para o esporte

No mês passado, Felipe Massa encerrou uma bela carreira na Fórmula 1 com um momento emocionante no GP do Brasil e um adeus competitivo em Abu Dhabi. Ainda que colocássemos de lado a excelente temporada de 2008, Massa foi bem o suficiente na categoria para que a F1 se sentisse diferente quando ele saísse.

No entanto, talvez tenhamos que esperar mais um ano para ver o quanto será diferente. Com a Williams cada vez mais propensa a permitir que Valtteri Bottas deixe o time para substituir Nico Rosberg na Mercedes, já há quem admita que Massa seria a melhor opção para ocupar o lugar deixado pelo finlandês - como a vice diretora da equipe, Claire Williams.

Massa por si só é popular, mas o retorno dele pode não ser. Não junto a pilotos que não possuem contratos para 2017 mas estão longe da aposentadoria. Não junto a pilotos que tiveram anos sólidos no fundo ou na parte intermediária do pelotão, mas que não brilharam o suficiente para avançar no sonho de correr na F1.

E, certamente, não faria sucesso com os pilotos de ponta da GP2, que batalham pela supremacia na categoria de base da F1 apenas para ver que as portas na categoria principal estão fechadas - e as que se abrem não se abrem para eles.

A decisão correta

Os times de ponta da F1 tem sido conservadores quando o assunto é a dupla de pilotos e a negociação de contratos - a Red Bull foi uma exceção notável neste ano. Na situação atual, com a saída repentina de Nico Rosberg, a solução que parece próxima faz muito sentido.

Toto Wolff, chefe da Mercedes, disse desde o início que o time não queria criar problemas e novelas contratuais. Com Bottas sob contrato, há um caminho claro para contratar o finlandês. 

Bottas fez a parte dele para se colocar como um candidato a uma vaga em uma equipe grande - superando Massa nos três anos de Williams, terminando 2016 com 17 a 4 em posições de largada - a maior vitória do grid.

A Williams não quer abrir mão de Bottas - o diretor técnico do time de Grove, Pat Symonds, deixou bem claro que o finlandês é peça fundamental para os planos da equipe em 2017. Mas a Williams pode jogar duro com a fornecedora de motores do time e se arriscar a deixar Bottas frustrado ao impedir que ele abrace uma oportunidade de ouro? Provavelmente não.

Com a provável saída do finlandês, surge a necessidade de um piloto experiente para figurar ao lado de Lance Stroll, de 18 anos, que estreia em 2017. Se Symonds destacou algumas razões para manter Bottas - a importância da continuidade e a necessidade de se preparar da melhor maneira para as mudanças nas regras que serão vistas em 2017 - e tais razões também se aplicariam no retorno de Massa.

Pelos lados de Massa, ele ainda pode decidir contra o retorno - mas certamente ele não precisa tomar tal decisão.
Massa sabe que, lá em 2006, a carreira na Ferrari poderia ter acabado se Michael Schumacher não tivesse decidido se aposentar pela primeira vez, embora isso não signifique que ele deveria enxergar a situação atual da mesma forma, especialmente se ele acredita que ainda pode acrescentar algo ao legado dele na F1.

O paradoxo

Tudo o que foi abordado virá como uma pequena consolação para os jovens pilotos, que agora veem as oportunidades menores do que nunca. Dos 18 pilotos já confirmados no grid de 2017, somente um é novato - Stroll.

Apesar da participação no Bahrein, Stoffel Vandoorne deveria ser considerado novato. Entretanto, o piloto que despachou a concorrência na GP2 em 2015 teve um ano de espaço antes de chegar à F1 - o que é um bom exemplo do problema.

Em 2016, nenhum piloto fez na GP2 o que Vandoorne fizera no ano anterior, mas tratava-se de um grid sólido. Entretanto, nenhum deles subiu para a F1 e é pouco provável que haja alguma mudança para nomes como Antonio Giovinazzi ou Jordan King.

Ainda assim, a experiência segue sendo uma moeda valiosa. A Mercedes está de olho em Bottas mesmo tendo dois pilotos contratados, que poderiam se juntar a Lewis Hamilton com muito menos trabalho.

A Williams, por sua vez, pode acabar tirando um piloto da aposentadoria para se certificar de que não perderá em termos de experiência, ainda que existam alternativas mais baratas e com mais potencial.


O barulho e a especulação em torno do substituto de Rosberg sugere que os fãs da categoria querem variedade na parte da frente do pelotão. Se Massa voltar à Williams em 2017, isso representaria uma extensão da passagem de uma das personalidades mais populares do esporte, mas a variedade - o que 'apimenta' a vida - não teria representatividade.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Opinião dos Nossos Leitores - Alexandre Bodilho - Fortaleza - CE

OPINIÃO

Olá meu amigo Jony Edson, o Pedro Bial de Poço Branco.

Estive em Poço Branco nesses dias, inclusive no domingo que o Blog fez uma matéria sobre a barragem. Foi muito bom estar na minha terra e ver a nossa população feliz, pois em todas as esquinas só se fala em dois assuntos: da mega festa do aniversário da cidade e das chuvas constantes que caem em nossa cidade. É sempre bom ver o nosso maior ponto turístico sempre recebendo visitantes e o povo da cidade e também é bom saber que a festa do aniversario da cidade será para a população e de graça.

Nestes dias em casa notei que tinha muita gente apreciando o nosso maior cartão postal, mas o nosso único ponto turístico continua abandonado. As águas foram subindo e, mais uma vez, os nossos governantes se esqueceram de limpar a área dos banhistas. Presenciei muita gente tomando banho junto ao mato e lá na Casinha (que é uma paisagem muita linda) o lixo avança por todos os lados.

Poço Branco vai fazer 48 anos e quando é que prefeitos e vereadores vão perceber que essa barragem é a nossa única área de lazer e o mais belo ponto turístico? Daqui a poucos dias nossa cidade vai ter a maior festa de sua história, mas será que ela estar preparada para receber tanta gente de uma vez só? Com certeza teremos milhares de visitantes e seria bom que eles saíssem fazendo bons comentários da nossa terra pra poder voltar em outras épocas também. Concorda?

Achei muito bonita a matéria do Blog sobre a Ação de Cidadania promovida pelos nossos vereadores e que ela trouxe alegria para muita gente necessitada. Mas você não acha que essa união dos vereadores e a prefeitura poderia também criar um dia de mutirão para realizar a limpeza da nossa barragem? Vamos limpar as ruas, pintar os canteiros, podar as árvores e, enfim, vamos deixar nossa cidade linda igual ao seu hino. Por que não chamar esse mutirão de “Por amor a Poço Branco”? Por que não começar este mutirão logo agora, para deixar tudo 100% até a festa da cidade?

Mais uma vez agradeço pelo espaço.

Alexandre Bodinho - Fortaleza-CE

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

OPINIÃO: Lei do Descanso pede bom senso

Leia opinião do empresário Paulo Alves Ferreira, da Pedra Branca Transportes, de Ibiraçu (ES)
Paulo Alves Ferreira*
O Brasil, este país rodoviário, nunca teve um governo que reconhecesse a importância e olhasse com o devido interesse para o motorista transportador de cargas, este profissional que leva progresso cruzando todo o país, correndo riscos de todos os tipos e enfrentando problemas como a falta de infraestrutura, muita cobrança e abusos por parte de algumas autoridades que agem com intimidação e desrespeito nas abordagens e em postos de fiscalização nas estradas, além do descaso com que são recebidos em algumas empresas, onde podem ficar dias aguardando para descarregar ou carregar sem o apoio de uma fiscalização que mande cumprir a lei 12.619 – no máximo cinco horas de permanência para que seja concluída a operação.
A Lei 12.619 assustou pelo fato de propor uma mudança muito radical, saindo de uma informalidade total para um rigor exagerado e sem que houvesse contrapartida do governo, que até hoje não realizou ações para oferecer condições de cumprimento da lei. Uma dessas ações deveria ser a instalação de pontos de apoio para que os motoristas cumpram o descanso interjornadas de 11 horas previsto na lei. É obrigação do governo providenciar. Na situação atual, os motoristas são contra esse número de horas parados – oito horas seriam suficientes. Todos sabem que, na falta do que fazer, acaba-se arrumando coisas que não prestam para preencher o tempo. O álcool, as drogas, a prostituição andam sempre rondando. Esse tempo todo parado, somado à solidão e ansiedade, expõe o profissional a essas ofertas infelizes e improdutivas, indo contra o propósito que o fez sair pegar a estrada, que é a busca do seu sustento e de sua família.
Na nossa empresa, mesmo antes de existir a lei 12.619, já tínhamos os controles das jornadas, não permitíamos que nossos motoristas rodassem à revelia. Eles tinham liberdade de rodar das 5:00 até às 22:00 horas. Não eram obrigados a rodar todo esse tempo, esses eram apenas os limites. Uns gostavam de iniciar mais cedo, outros mais tarde. Tinham que parar a cada três horas para descansar. E quando retornavam das viagens, pelo menos dois dias eles ficavam em suas casas com a família sem ser importunados pela empresa. Nunca tivemos acidentes por excesso de jornada.
Não somos contra ao controle da jornada de trabalho dos motoristas, é necessário haver controle sim. Há empresas mal intencionadas que estimulam os motoristas a cumprir jornadas que só se consegue com ajuda de estimulantes, o popular “rebite”. Também existem autônomos que não cumprem horário nenhum, assumem qualquer compromisso e excedem muito as jornadas. Precisam ser fiscalizados e obrigados a cumprir os descansos.
Outro ponto que quero levantar diz respeito à produtividade e geração de renda de caminhões que foram comprados pouco antes da entrada em vigor da lei. Quando foram adquiridos, através de financiamentos de longo prazo (60 meses, por exemplo), quem comprou calculou a sua capacidade de pagar com base na situação anterior à lei 12.619, sem que a jornada de trabalho do motorista fosse limitadas ao máximo dez horas por dia. Isso representou entre 25 a 30% de redução de faturamento, nos deixando incapazes de honrar os compromissos com os bancos que nos financiaram.
Importante comentar que nossa empresa já possuiu uma frota de 43 caminhões, mas desde 2012 não compramos mais nenhum e vendemos nove. E se aparecer comprador, venderemos mais. Isso não está acontecendo só com nossa empresa, outras também estão reduzindo sua atividade. Isso, num futuro próximo, causará um desabastecimento de mercadorias.
Paulo Alves Ferreira
Paulo Alves Ferreira
Sabemos que estão tramitando no Congresso, de forma muito lenta inclusive, emendas a essa lei que modificariam um pouco o panorama, permitindo que se façam até quatro horas-extras por dia e que a interjornada seja reduzida para 8 horas. Entendo como suficiente, mas ainda não atenderá por completo os anseios das empresas e dos motoristas, pois o cálculo para o descanso semanal não fica ideal. Às vezes é interesse do motorista permanecer em casa por mais tempo, como às vezes é interesse dele adiantar um pouco a saída para fazer coincidir algum compromisso que ele tenha com a família em seu regresso. Devia ser deixado livre o acordo entre a empresa e o motorista quanto a esse tempo de permanência em casa para iniciar nova viagem, com uma regra que proteja o limite mínimo para que ele fique em casa, por exemplo, dois dias em casa quando se tratar de viagens de mais de uma semana.
Aproveitando a oportunidade, gostaria de manifestar meu repúdio às restrições que estão em vigor nas estradas estaduais do Nordeste. Começou pelo Ceará e, agora, quase todos os estados estão aderindo. Esses estados limitaram o peso dos caminhões para transitar nas estradas estaduais em 45 toneladas. Bitrens e vanderleias estão impedidos. Alegam que essas composições danificam as estradas. Não é um absurdo? Por que não usam o dinheiro que arrecadam através dos impostos e constroem estradas mais resistentes? Por que não fiscalizam melhor quem trafega com excesso de peso previsto nas leis federais? São decisões arbitrárias que contrariam o direito de ir e vir previsto na Constituição.
Relato ainda outra situação que revela o descaso com que o transporte rodoviário de cargas é tratado no Brasil. Temos várias pontes sem a devida manutenção. O que faz o governo para evitar que elas caiam? Reforça-as, substitui por outras mais seguras e resistentes? Não: obriga os motoristas de bitrens de 9 eixos a passar com um compartimento de cada vez, de forma humilhante e desgastante, às vezes debaixo de chuva ou sob sol quente. É o que está acontecendo no Km 806 da BR 101, na cidade de Itamaraju (BA), uma rodovia federal importantíssima. Isso é uma vergonha nacional.
*Paulo Alves Ferreira é sócio da empresa Pedra Branca Transportes, de Ibiraçu (ES)
 FONTE CARGA PESADA