O Banco do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do
Sul) comunicou a demissão do economista Paulo Nogueira Batista Júnior. da
vice-presidência da instituição. O Estadão/Broadcast apurou que ele esteve na
semana passada no Palácio do Planalto para tentar reverter à decisão, mas não
conseguiu apoio.
Indicado ao cargo pela ex-presidente da República Dilma
Rousseff, Nogueira Batista Júnior. era alvo de um processo administrativo por
assédio moral e quebra de dever contratual por ter feito comentários sobre a
política interna brasileira.
Em seus artigos publicados no jornal O Globo, Batista Júnior.
fez críticas à condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo juiz
Sérgio Moro, sem, no entanto, citar o magistrado nominalmente. O economista
ressalva nos artigos publicados pelo jornal que, embora fosse vice-presidente
do Banco de Desenvolvimento, sediada em Xangai, expressa “seus pontos de vista
em caráter pessoal”.
Procurado pela reportagem, Batista Júnior. não quis se
pronunciar. O economista tentou que o governo brasileiro o apoiasse para a
manutenção do cargo. No entanto, a posição da equipe de Temer era pela saída
dele. A demissão precisa ser referendada pela junta de representantes, composta
por um nome de cada país. No caso brasileiro, o ministro da Fazenda, Henrique
Meirelles, também votou pela demissão.
O placar pela saída do economista foi unânime. Em
Washington, Meirelles afirmou que a demissão foi um processo interno do banco e
que compete à entidade divulgar ou não os motivos do desligamento. Ressaltou
que o governo brasileiro não teve nenhuma participação nesse processo. O
ministro afirmou que o governo vai indicar o substituto: “Acredito que é uma
questão de duas semanas quando teremos um nome para apresentar”.