“Em outros estados do país, que também atravessam crise, houve uma
compreensão dos poderes e da sociedade', disse o governador; 'eles (Judiciário)
poderiam ter tido um pouco mais de paciência', completou
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| Governador Robinson Faria (PSD) - José Aldenir / Agora Imagens |
O governador Robinson Faria, em tom de
desabafo, comentou nesta quarta-feira, 29, que considerou “precipitada” as três
decisões do Tribunal de Justiça, tomadas por três desembargadores diferentes,
de mandar o Governo do Estado pagar os duodécimos devidos pelo Executivo ao
Ministério Público, Tribunal de Contas e Assembleia Legislativa.
“Em outros estados do país, que também
atravessam crise, houve uma compreensão dos poderes e da sociedade – que se
organizaram para salvar o Estado. Acho que deve haver este sentimento aqui
também”, lamentou Robinson durante solenidade comemorativa aos 100 anos de
existência do Corpo de Bombeiros do Rio Grande do Norte.
O governador lembrou que ele próprio
propôs na semana passada uma reunião no Ministério Público com o
procurador-geral de Justiça e os demais representantes dos poderes para
discutir os débitos do Executivo de duodécimos, mas que as decisões judiciais
atropelaram os acontecimentos.
“Não
se trata dos poderes, mas de uma política de Estado. Então, é muito fácil o
poder Judiciário mandar o governo cumprir, mas eu pergunto: como é que eu vou
cumprir? Onde está o dinheiro para cumprir?”, indagou o governador ao convidar
os Poderes, juntamente com o Executivo, a abrir seus extratos de conta.
Robinson Faria desabafou: “Se eu não
estou cumprindo, também não estou pagando o servidor. O servidor deles (Poder
Judiciário) está em dia; o que está atrasado é o meu, do Poder Executivo, o
mesmo poder que paga o hospital, que paga a estrada, que paga o enfrentamento
da seca, que paga os remédios para o hospital. Quem tem o maior arcabouço de
despesas é o Executivo. O Executivo tem o pessoal e as despesas de custeio que
são gigantescas. Então, acho que temos que ter um momento de desarmamento,
temos que pensar grande, sou uma pessoa que é do diálogo, apenas eu faço um
pequeno comentário: essas ações poderiam não ter acontecido”.
Robinson reconheceu o direitos dos
Poderes de protestar, já que o repasse dos duodécimos é constitucional e ele
não pode ir contra a Constituição, “mas tem que ver a situação do Estado”. E
asseverou: “Acho que temos que ter essa compreensão. Não estou criticando, não
estou debatendo, fazendo um debate pela imprensa, mas acho que eles
(Judiciário) poderiam ter tido um pouco mais de paciência porque a boa vontade
do governo sempre existiu e nunca deixou de repassar os duodécimos quando
podia”.
Lembrou que vive permanentemente uma
escolha de Sofia. “Se passarmos dinheiro para os Poderes, não repassamos para
os servidores. Se passo para o servidores, não repasso para os poderes. Então,
não pago hospital, não pago os médicos, não pago as cooperativas, falta
dinheiro para as cirurgias eletivas…então o governador vive nesse dilema, nessa
escolha de Sofia 24 horas. Então é uma gestão de crise”.

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