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| Soldado João Maria Figueiredo da Silva trabalha na cidade de Touros (Foto: Reprodução/Facebook) |
O soldado da Polícia Militar
do Rio Grande do
Norte João Maria Figueiredo da Silva, que no dia 21 de
setembro foi punido com 15 dias de prisão por ter usado uma rede social para
criticar o modelo de polícia utilizado no país, está livre da cadeia. Pelo
menos até que a Justiça avalie o mérito da questão. Nesta terça-feira (4), o
juiz substituto Ricardo Tinoco de Góes concedeu um habeas corpus que impede o
cumprimento da punição. Figueiredo é lotado em Touros,
município do litoral Norte potiguar. Com a ordem de detenção suspensa, ele
segue trabalhando normalmente.
Advogado do policial, Bruno
Saldanha comemorou a decisão do magistrado. “Não cabe à PM regular a liberdade
de expressão de quem quer que seja. A autoridade que acusou foi a mesma que
julgou, isso fere a nossa constituição”, ressaltou.
A prisão de Figueiredo foi
determinada pelo comandante-geral da corporação, coronel Dancleiton Pereira,
que entendeu que o policial cometeu uma transgressão disciplinar. Consta no
Boletim Geral da PM, datado de 21 de setembro, que "o soldado publicou
palavras não condizentes com a ordem castrense, que desrespeita e ofende a
instituição e seus integrantes, além de promover o descrédito do bom andamento
do serviço ostensivo da Polícia Militar, conduta que é considerada contrária as
normas regulamentares e éticas esculpidas no Regulamento Disciplinar da Polícia
Militar” (SIC).
'Jagunços'
As palavras nas quais a sindicância contra o soldado faz referência foram postadas no dia 26 de abril no Facebook. Encontram-se numa página chamada Mudamos – que propõe discussões sobre o sistema brasileiro de segurança pública. “Esse estado policialesco não serve nem ao povo e muito menos aos policiais que também compõe uma parcela significativa de vítimas do atual contrato social brasileiro. Temos uma Polícia que se assemelha a jagunços, reflexo de uma sociedade hipócrita, imbecil e desonesta!!” (SIC), comentou Figueiredo.
As palavras nas quais a sindicância contra o soldado faz referência foram postadas no dia 26 de abril no Facebook. Encontram-se numa página chamada Mudamos – que propõe discussões sobre o sistema brasileiro de segurança pública. “Esse estado policialesco não serve nem ao povo e muito menos aos policiais que também compõe uma parcela significativa de vítimas do atual contrato social brasileiro. Temos uma Polícia que se assemelha a jagunços, reflexo de uma sociedade hipócrita, imbecil e desonesta!!” (SIC), comentou Figueiredo.
Assessor de comunicação da
PM, o tenente-coronel Arthur Emílio Monteiro de Araújo comentou o caso: “Ele
foi punido de acordo com as normas. Quando ingressou na Polícia Militar, ele
sabia quais eram as regras. As redes sociais facilitam a comunicação, mas as
pessoas esquecem dos cuidados. Essa é uma orientação que nós damos: tenham
cuidado com o que é postado, porque o que é dito pode ser usado contra a
própria pessoa. Muitas vezes, os policiais se expõem e acabam também expondo
seus familiares sem necessidade alguma”.
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| Comentário feito pelo soldado João Maria Figueiredo foi considerado uma ofensa à Polícia Militar (Foto: Reprodução/Facebook) |
Bombeiro também é punido
A punição aplicada ao soldado Figueiredo não é um caso isolado no estado. Presidente da Associação dos Bombeiros Militares do RN, o soldado Dalchem Viana do Nascimento Ferreira também foi punido por fazer uso de redes sociais. O castigo foi de três dias de prisão por ter enviado um áudio em um grupo de WhatsApp no qual convoca membros associados para uma assembleia.
Na gravação, feita no dia 22
de junho, Dalchem fala: “Senhores boa tarde. É, só pra informar para que todos
os soldados e cabos da ABM estão convidados não, estão convocados a comparecer
a esta reunião, no dia e local marcado, porque o quartel é também de cabos e
soldados, então estão todos convocados a comparecerem a reunião. Eu estarei lá,
entendeu, a Comissão de Direito da OAB também estará lá e também vou levar a
situação agora ao Secretário de Segurança, e a chefe de Gabinete Civil” (SIC).
“No caso do Dalchem, ainda
não houve nenhuma medida jurídica implementada, mas já entramos com um pedido
administrativo de reconsideração de ato. Isso também impede que ele seja preso.
Além disso, o bombeiro está de licença médica”, disse o Bruno Saldanha, que
também advoga para o militar.
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| Anistia Internacional pede explicação sobre a abertura da sindicância contra o soldado Figueiredo (Foto: Reprodução/G1) |
Anistia Internacional
"Refutamos como gravíssimas as penalidades impostas pelos Comandos da PM e do Corpo de Bombeiros. Prisão é algo muito sério. Não estamos a falar de crime, mas da manifestação do pensamento de cidadãos que merecem proteção do Estado. Não cabe nesta quadra da vida democrática brasileira violações a direitos fundamentais, como, a liberdade de pensamento, associação e opinião. A repercussão do caso já é internacional, a OAB e os órgãos de proteção aos direitos humanos, como a Anistia Internacional e a Human Rights já tomaram ciência do caso e já acionaram os organismos internacionais competentes. O Brasil pode sofrer sanções severas no campo diplomático, além de sofrer com pesadas multas", comentou o advogado Bruno Saldanha.
"Refutamos como gravíssimas as penalidades impostas pelos Comandos da PM e do Corpo de Bombeiros. Prisão é algo muito sério. Não estamos a falar de crime, mas da manifestação do pensamento de cidadãos que merecem proteção do Estado. Não cabe nesta quadra da vida democrática brasileira violações a direitos fundamentais, como, a liberdade de pensamento, associação e opinião. A repercussão do caso já é internacional, a OAB e os órgãos de proteção aos direitos humanos, como a Anistia Internacional e a Human Rights já tomaram ciência do caso e já acionaram os organismos internacionais competentes. O Brasil pode sofrer sanções severas no campo diplomático, além de sofrer com pesadas multas", comentou o advogado Bruno Saldanha.
O G1 teve
acesso a um ofício que a Anistia Internacional enviou ao comandante-geral da PM
do Rio Grande do Norte assim que soube da punição imposta ao soldado
Figueiredo. O documento, de 28 de junho, pede explicações sobre a abertura da
sindicância contra o policial. A assessoria de comunicação da Polícia Militar
foi procurada para falar sobre a resposta que foi dada, mas o celular do tenente-coronel
Arthur Emílio Monteiro de Araújo estava desligado.



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